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sexta-feira, 29 de julho de 2016

193 livros: COSTA DO MARFIM

 
 
 
País: Costa do Marfim
Livro: Alá não é obrigado
Autor: Ahmadou Kourouma
Fonte: Biblioteca S. Lázaro ou Olivais - Lisboa
Pontuação: 7/10
 
 
Este livro conta a história de Birahima, que rapaz que assiste à morte da mãe (que teve uma vida tortuosa) e que, para sobreviver, sai da sua aldeia para procurar a tia que vive na Libéria, e que é a única pessoa que pode cuidar dele. No entanto, nunca chega a encontrá-la, e passa a ser uma criança-soldado. 

Da Costa do Marfim à Serra Leoa, passando pela Libéria, irá passar por diversos grupos de guerrilha ou fracções, liderados por figuras sádicas, violentas e surreais. 
 
A verdade é que é uma realidade muito específica, real mas difícil de imaginar, em que as crianças, consumidoras de drogas, acabam por ser tão cruéis como os adultos. Mas no fundo é apenas a luta pela sobrevivência no meio do caos e da violência.
 
Acaba por ser também um livro político (parece que pelo meio o autor se esquece que o narrador é uma criança), com uma contextualização histórica e onde a certa altura se percebe os negócios, esquemas e alianças e traições entre criminosos e políticos.

Gostei muito da linguagem e a escrita. A personagem principal decide contar a sua biografia, com a ajuda de alguns dicionários, e assim vai fazendo a tradução de muitas expressões do "africano indígena" para o francês e vice-versa, mas com muita piada.

 "Se Alá não é obrigado a ser justo com os seres a quem dá vida", temos de aguentar e aceitar o que a vida nos dá.

terça-feira, 26 de julho de 2016

193 livros: ARGÉLIA


País: Argélia
Livro: O que o dia deve à noite
Autor: Yasmina Khadra
Fonte: Biblioteca S. Lázaro - Lisboa
Pontuação: 8/10
A aprofundar: Guerra civil argelina, processo de descolonização


"O que o dia deve à noite" é o livro que representa a Argélia, retratando o período colonial entre 1936 e 1962.




Este livro narra a história de Younes/Jonas, um rapaz que vive numa aldeia com a família, mas por causa de alguns infortúnios são obrigados a migrar para os subúrbios infernais de uma cidade. Como a vida continua a correr mal a esta família, o menino é adotado pelo tio, que lhe dá educação, outro nível de vida e outra morada, num sítio bem mais simpático. 

Vamos acompanhando o seu crescimento, as aventuras e desventuras do seu grupo de amigos e a sua história de amor muito atribulada, a par das convulsões políticas e inclusive guerra civil, que marcaram o período de independência do país face à França.

Neste livro, ficam no ar as dicotomias entre classes sociais, entre colonizadores e colonizados, entre muçulmanos e cristãos. Há referência às questões da honra e do dever, ao sentimento de não-pertença, à questão da identidade,...


Jonas acaba por não cumprir o seu "destino amoroso" porque não quer trair o amigo e todo o contexto em que vive. Apetece ao longo da história "abaná-lo" e encaminhá-lo para a ação.

O título só se percebe no final do livro, porque é a sensação com que se fica no final, a interrogação mantém-se além da história. 

Resumindo, gostei muito deste livro e fiquei muito curiosa para investigar mais sobre o processo de independência da Argélia. 



Citação para refletir:
"Cada homem é o seu próprio deus. É ao escolher outro que se renega e se torna cego e injusto". 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

193 livro: ÁFRICA DO SUL






 
País: África do Sul
Livro: Nelson Mandela: arquivo íntimo
Autor: Nelson Mandela
Fonte: oferta
Pontuação: 8/10

 
Não sou pessoa de ter fascínio por ídolos mas se há figura que considero um exemplo a seguir é Nelson Mandela.

Este livro foi oferta de um amigo, e é super interessante porque é uma espécie de auto-biografia, que apresenta excertos da vida deste líder sul-africano, espelhando a sua luta pelo fim do Apartheid.
Baseia-se em:
Diários enquanto estava, no início dos anos 60, em fuga;
Diários e rascunhos de cartas escritas em Robben Island e noutras prisões, durante os 27 anos de cativeiro;
Blocos de notas, do período de transição da África do Sul, incluindo os ficheiros de Mandela sobre o processo de negociações do CODESA;
Conversas privadas gravadas enquanto trabalhava na sua autobiografia;
Rascunhos de discursos e correspondência durante o período da sua Presidência da África do Sul;
Reflexões privadas e pensamentos, após a retirada da vida política, sobre assuntos sociais prementes e o seu legado.

Aqui fica uma citação que reflete os valores defendidos por Mandela:
“Na vida real lidamos, não com deuses, mas com seres humanos normais como nós: homens e mulheres cheios de contradições, que são constantes e instáveis, fortes e fracos, famosos e infames.”





quarta-feira, 6 de julho de 2016

193 livros: ANGOLA






País: Angola
Livro: A Geração da Utopia
Autor: Pepetela
Fonte: comprado
Pontuação: 8/10

Um dia destes, participava numa conversa sobre escritores africanos e dei conta que, em geral, só os conheço de nome. Vai daí, resolvi colmatar esta falha e fui comprar um livro do Pepetela.

Foi uma surpresa. Gostei muito da escrita deste autor.

A Geração da Utopia é o retrato, ao longo de uma geração, da vida de alguns angolanos e da história do país.

O livro divide-se em quatro partes, que se passam em períodos de dez anos. A história começa em 1961, com as histórias dos estudantes universitários angolanos que viviam em Lisboa, numa sociedade fascista e colonial, ao mesmo tempo que se iniciava a luta armada no seu país de origem. Esta é a fase do idealismo, da esperança que através da luta se iria conseguir construir um país estruturado e justo, esquecendo as mágoas do colonialismo. Na segunda parte, em 1972, alguns dos estudantes anteriores vão lutar na guerrilha, no mato em Angola, e aí há o choque entre as convicções idealistas e a guerra, o medo inerente, a covardia associada e a sobrevivência. A terceira parte decorre nos anos 80 e a quarta parte nos anos 90, e aí percebe-se que o que foi idealizado inicialmente é muito diferente da realidade, com os diferentes protagonistas a experienciarem formas diferentes de adaptação.

O livro é sobre a morte do desencanto e da esperança, que vai diminuído ao longo do tempo, é a desconstrução dos mitos utópicos da juventude.

Recomendo!