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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

193 livros: IRÃO





País: Irão
Livro: Persépolis
Autor: Marjane Satrapi
Fonte: Biblioteca S. Lázaro ou Olivais - Lisboa
Pontuação: 10/10
Pesquisar sobre: revolução islâmica iraniana, Irão atual


Persépolis é uma banda desenhada, autobiográfica, que retrata a vida da autora desde a sua infância até ao início da idade adulta.
Quando ela tinha 10 anos, deu-se a revolução islâmica no seu país, o Irão, e ela viu-se obrigada a usar o véu e andar numa escola apenas feminina. Nascida num família culta e moderna, acompanhou de perto este processo de transição política, tendo-se de se sujeitar à repressão e opressão a que todos os iranianos foram sujeitos durante várias décadas.  Já adolescente rumou à Europa para estudar, tendo uma experiência também traumática. 
Adorei esta história porque é realmente muito sincera, honesta e íntima, mas simultaneamente consegue-se perceber o contexto mais macro e histórico. É um livro que se lê muito rápido e que vale muito a pena. Agora fiquei curiosa para ver o filme... e para saber o que aconteceu depois na vida da Marjane, uma miúda com muito humor e muita consciência.

 
 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

193 livros: CHINA II



País: China Livro: Cisnes Selvagens Autor: Jung Chang Fonte: alfarrabista Pontuação: 10/10





O livro "Cisnes Selvagens", da autoria de Jung Chang, conta a história de 3 gerações de mulheres de uma família chinesa durante o século XX, dando uma visão histórica e social muito precisa, e desconhecida para mim, da sociedade chinesa e do início do regime comunista.

É decididamente um dos livros da minha vida, fascinante e inesquecível.

Uma das passagens que mais me marcou foi o costume de enfaixarem os  pés das mulheres chinesas há algumas décadas atrás, que já tinha ouvido falar, mas não tinha ainda imaginado. Aqui fica a descrição apresentada no livro:


"O seu grande valor residia, porém, nos pés enfaixados, chamados em chinês «lírios dourados com oito centímetros»(san- tsun - gin- lian). (...) A visão de uma mulher a caminhar vacilantemente sobre uns pés enfaixados tinha supostamente um efeito erótico nos homens, em parte, sem dúvida, porque a vulnerabilidade dela despertava em quem a via um impulso protector.

Tinha a minha avó dois anos quando lhe enfaixaram os pés. A mãe, que também tinha pés enfaixados, começou por enrolar-lhe à volta dos pés uma tira de pano com cerca de seis metros de comprimento, dobrando todos os dedos, excepto o grande, para dentro e para debaixo da planta. Depois pôs-lhes uma grande pedra em cima, para esmagar o arco. A minha avó gritou de dor e suplicou-lhe que parasse, e a mãe teve de meter-lhe um pano na boca, para amordaçá-la. A infeliz desmaiou diversas vezes, devido à dor.


O processo demorava anos. Mesmo depois de os ossos terem sido partidos, os pés tinham de continuar enfaixados, dia e noite, em tiras de pano, pois no momento em que fossem libertados, tentariam recuperar. Durante anos, a minha avó viveu cheia de dores terríveis e constantes. Quando suplicava à mãe que lhe tirasse as faixas, ela chorava e dizia-lhe que isso arruinaria toda a sua vida futura, e que fazia aquilo pela felicidade dela.


Naqueles tempos, quando uma mulher casava, a primeira coisa que a família do noivo fazia era examinar-lhe os pés. Uns pés grandes, ou seja, uns pés normais, traziam vergonha para a casa do marido.(...)


O costume de enfaixar os pés foi introduzido na China há cerca de mil anos, segundo se diz por uma concubina do imperador. Além de a visão das mulheres a coxear sobre uns pés minúsculos ser considerada erótica, os homens excitavam-se a acariciar os pés enfaixados, que permaneciam sempre escondidos nuns sapatinhos de seda bordada. As mulheres não podiam tirar as faixas mesmo depois de adultas, pois os pés começariam a crescer novamente. Só à noite, na cama, lhes era possível aliviar temporariamente o tormento, afrouxando um pouco as tiras de pano. Calçavam, então, uns sapatos de sola macia. Os homens raramente viam nus uns pés enfaixados, que estavam geralmente cobertos de carne apodrecida e exalavam um cheiro horroroso quando se retiravam as faixas. (...) A dor era provocada não só pelos ossos partidos, mas também pelas unhas, que cresciam para dentro das pontas dos dedos.

Na realidade, os pés da minha avó tinham sido enfaixados precisamente na altura em que a prática estava prestes a desaparecer para sempre. Quando a irmã dela nasceu, em 1917, o costume tinha sido praticamente abandonado, de modo que conseguiu escapar ao tormento."  Jung Chang

segunda-feira, 11 de julho de 2016

193 Livros: CHINA




 



País: China
Livro: O diário de Ma Yan
Autor: Ma Yan e Pierre Haski
Onde o consegui: Alfarrabista
Pontuação: 9/10

"O diário de Ma Yan", publicado originalmente em 2002, retrata a vida de uma rapariga da China rural, que tem a sua vida, como estudante e como mulher, muito dificultada. Não é um romance, mas um relato verdadeiro.


O que Ma Yan mais deseja é continuar a estudar, com a finalidade de quebrar o ciclo de pobreza da família. Embora a escolaridade obrigatória seja de nove anos na China, principalmente as raparigas dos meios rurais deixam de estudar cedo, para ajudarem as suas famílias pobres.

Ma Yan e o irmão percorrem a pé cerca de 20km de casa à escola, onde vivem durante a semana, faça chuva ou sol, de dia ou de noite, sendo por vezes ainda assaltados no caminho. Comem basicamente arroz todos os dias, às vezes legumes ou pão e, muito excepcionalmente, sopa de carne. Ma Yan muitas vezes deixa de comprar comida para poder comprar material escolar. Quer sempre ser a primeira da turma, porque de outra forma não se acha merecedora dos esforços que a mãe doente faz por ela.

Uma vez uns jornalistas franceses foram à aldeia de Ma Yan. A mãe dela,analfabeta, e em desespero, entregou-lhes uma carta onde a filha manifestava a revolta por não poder continuar a estudar, bem como alguns diários que Ma Yan costumava escrever. A história de Ma Yan foi assim contada no Libération em 2002 e provocou uma onda de solidariedade entre os franceses, que contribuíram para um criar fundos para Ma Yan e outras crianças na mesma situação para que pudessem continuar a estudar. Este livro são os diários de Ma Yan com comentários do jornalista, que nos contextualiza e nos vai explicando esta realidade.

Encontrei este vídeo, de 2007, em que Ma Yan está prestes a ir para uma universidade francesa.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

193 Livros: LÍBANO



País: Líbano
Livro: Identidades Assassinas
Autor: Amin Maalouf
Fonte: emprestado
Pontuação: 10/10

Excelente ensaio sobre a questão da identidade, no mundo globalizado.
Deixo uma das minhas passagens preferidas:
  

“Aos que perguntam, explico com paciência que nasci no Líbano e lá vivi até meus 27 anos; que minha língua materna é o árabe, que foi em tradução árabe que li Dumas, Dickens e As Viagens de Gulliver; e que foi na minha aldeia natal, na aldeia de meus antepassados, que experimentei os prazeres da infância e ouvi algumas das histórias que mais tarde inspirariam meus romances. Como poderia esquecer isso? Como posso deixá-lo de lado? Por outro lado, vivi 22 anos pisando o solo da França, bebendo sua água e seu vinho; todo dia minhas mãos tocam suas pedras antigas; escrevo meus livros em sua língua; impossível considerá-la um país estrangeiro.

Serei meio francês meio libanês? Claro que não. A identidade não cabe em compartimentos. Não pode ser dividida em metades, terças-partes ou segmentos separados. Não tenho várias identidades, tenho uma só, feita de muitos componentes combinados, numa mistura que é única, como para cada indivíduo.

 
Às vezes, após explicar isso detalhadamente, alguém pergunta (...) “Mas como é que você se sente, lá no fundo?” Durante algum tempo, eu achava engraçada essa pergunta, sempre repetida. Mas não me faz sorrir mais, não tem a menor graça. Parece reflectir uma visão da humanidade bastante comum, mas muito perigosa”. Como se houvesse alguma pertinência fundamental, uma essência imutável e que se tivesse que “assumir uma identidade (...) a ser esfregada orgulhosamente na cara dos outros.”








País: Líbano
Livro: Origens
Autor: Amin Maalouf
Fonte: comprado
Pontuação: 8/10


 
Já li diversos livros do Amin Maalouf e gosto sempre imenso de todos eles. O último foi o "Origens", que relata a pesquisa que o autor fez em tornos das suas origens familiares, que vão desde a aldeia libanesa dos avós à distante Cuba dos tios emigrados.


Outros livros do mesmo autor já lidos: Leão, o Africano; O Périclo de Baldassare; Samarcanda.