sexta-feira, 8 de julho de 2016

193 livros: Perú ou República Dominicana





País: Perú ou República Dominicana
Livro: A Festa do Chibo
Autor: Mario Vargas Llosa
Fonte: comprado
Pontuação: 7/10





Este livro de Mario Vargas Llosa, Prémio Nobel da Literatura, é constituído por 3 histórias entrelaçadas. 

A primeira história é sobre uma mulher, Urania Cabral, que está de volta à República Dominicana, após uma longa ausência, para visitar o pai doente, e acaba por recordar incidentes da sua juventude e revelar um antigo segredo da família (que ainda não descobri mas deve ser terrível, dado que só voltou a falar com o pai e resto da família passados para aí 30 anos).

A segunda história centra-se no último dia na vida do ditador Trujillo, dando um contexto histórico profundo, em que é explicado o modo de funcionamento do regime, a que o pai de Urania pertenceu. 

A terceira componente é a noite do assassinato de Trujillo e a descrição dos seus assassinos, muitos dos quais tinham sido leais ao governo, dando a conhecer as suas histórias e motivos.  

Cada aspecto do enredo mostra uma visão diferente sobre a República Dominicana no seu contexto político e social, passado e presente. Recomendo a quem goste de "novelas históricas".




Apenas estou indecisa se o classifico como livro representante do Perú, país de origem do autor, ou da República Dominicana, país onde se centra o enredo e dá conta do contexto histórico e cultural daquele país.

193 livros: ALEMANHA




País: Alemanha
Livro: O perfume
Autor: Patrick Süskind
Fonte: oferecido
Pontuação: 7/10




O livro conta a história de um homem que tem um olfacto excepcionalmente apurado, sensível a todos os cheiros que o rodeiam.

O protagonista nasceu em França, no séc.XVIII, atrás de uma banca de feira onde a mãe vendia peixe, no meio de tripas. Talvez por isso ele não tenha um odor próprio, passando despercebido aos demais.

Com vários percalços ao longo da vida, foi vendido para trabalhar como aprendiz de curtidor de peles e posteriormente como aprendiz de perfumista, onde aprendeu as técnicas para fazer perfume.

O protagonista apaixona-se por uma rapariga com um cheiro totalmente diferente de todos os que conhecia, perfeito. Aí fica obcecado por apoderar-se desse odor e acaba por matá-la com as suas próprias mãos. Esta é apenas a primeira de muitas vítimas, que lhe vão possibilitar a criação de um perfume perfeito.

É um livro marcante mas, principalmente, original, que nos leva pelo mundo dos cheiros.

(PS - por agora o livro representa a Alemanha, por ser o país de origem do autor, embora a ação se passe em França)

quinta-feira, 7 de julho de 2016

193 livro: ÁFRICA DO SUL






 
País: África do Sul
Livro: Nelson Mandela: arquivo íntimo
Autor: Nelson Mandela
Fonte: oferta
Pontuação: 8/10

 
Não sou pessoa de ter fascínio por ídolos mas se há figura que considero um exemplo a seguir é Nelson Mandela.

Este livro foi oferta de um amigo, e é super interessante porque é uma espécie de auto-biografia, que apresenta excertos da vida deste líder sul-africano, espelhando a sua luta pelo fim do Apartheid.
Baseia-se em:
Diários enquanto estava, no início dos anos 60, em fuga;
Diários e rascunhos de cartas escritas em Robben Island e noutras prisões, durante os 27 anos de cativeiro;
Blocos de notas, do período de transição da África do Sul, incluindo os ficheiros de Mandela sobre o processo de negociações do CODESA;
Conversas privadas gravadas enquanto trabalhava na sua autobiografia;
Rascunhos de discursos e correspondência durante o período da sua Presidência da África do Sul;
Reflexões privadas e pensamentos, após a retirada da vida política, sobre assuntos sociais prementes e o seu legado.

Aqui fica uma citação que reflete os valores defendidos por Mandela:
“Na vida real lidamos, não com deuses, mas com seres humanos normais como nós: homens e mulheres cheios de contradições, que são constantes e instáveis, fortes e fracos, famosos e infames.”





quarta-feira, 6 de julho de 2016

193 Livros: LÍBANO



País: Líbano
Livro: Identidades Assassinas
Autor: Amin Maalouf
Fonte: emprestado
Pontuação: 10/10

Excelente ensaio sobre a questão da identidade, no mundo globalizado.
Deixo uma das minhas passagens preferidas:
  

“Aos que perguntam, explico com paciência que nasci no Líbano e lá vivi até meus 27 anos; que minha língua materna é o árabe, que foi em tradução árabe que li Dumas, Dickens e As Viagens de Gulliver; e que foi na minha aldeia natal, na aldeia de meus antepassados, que experimentei os prazeres da infância e ouvi algumas das histórias que mais tarde inspirariam meus romances. Como poderia esquecer isso? Como posso deixá-lo de lado? Por outro lado, vivi 22 anos pisando o solo da França, bebendo sua água e seu vinho; todo dia minhas mãos tocam suas pedras antigas; escrevo meus livros em sua língua; impossível considerá-la um país estrangeiro.

Serei meio francês meio libanês? Claro que não. A identidade não cabe em compartimentos. Não pode ser dividida em metades, terças-partes ou segmentos separados. Não tenho várias identidades, tenho uma só, feita de muitos componentes combinados, numa mistura que é única, como para cada indivíduo.

 
Às vezes, após explicar isso detalhadamente, alguém pergunta (...) “Mas como é que você se sente, lá no fundo?” Durante algum tempo, eu achava engraçada essa pergunta, sempre repetida. Mas não me faz sorrir mais, não tem a menor graça. Parece reflectir uma visão da humanidade bastante comum, mas muito perigosa”. Como se houvesse alguma pertinência fundamental, uma essência imutável e que se tivesse que “assumir uma identidade (...) a ser esfregada orgulhosamente na cara dos outros.”








País: Líbano
Livro: Origens
Autor: Amin Maalouf
Fonte: comprado
Pontuação: 8/10


 
Já li diversos livros do Amin Maalouf e gosto sempre imenso de todos eles. O último foi o "Origens", que relata a pesquisa que o autor fez em tornos das suas origens familiares, que vão desde a aldeia libanesa dos avós à distante Cuba dos tios emigrados.


Outros livros do mesmo autor já lidos: Leão, o Africano; O Périclo de Baldassare; Samarcanda.


193 livros: EUA



 
País: Estados Unidos da América
Livro: As Serviçais
Autor: Kathryn Stockett
Fonte: comprado
Pontuação: 9/10


Se há temática que me toca e enfurece é o mundo do emprego doméstico. Não, nunca fui empregada doméstica mas de há uns anos para cá contactei com muitas e as situações que me foram contando (exploração, não cumprimento de direitos, demasiadas horas de trabalho não pago, acusações de roubo, humilhações, abuso sexual,…)  foram despoletando em mim uma certa revolta…

Devorei o livro “As serviçais” (“Help” em inglês) da Kathryn Stockett e adorei. Passa-se nos EUA, nos anos 60, e centra-se na história, principalmente, de 3 mulheres.

Skeeter é branca, quer ser escritora mas quando acaba o curso volta para a terra-natal, onde a mãe e as amigas só pensam em casá-la. Começa a sentir-se incomodada com a naturalidade com que a discriminação é encarada e com o modo como o seu círculo de “amizades” trata as empregadas.

Aibileen é uma criada negra, que foi ama de dezassete crianças, educando-as quando os pais não lhes ligavam. No entanto, quando o filho morre nada volta a ser como antes. 


Minny, também criada e a melhor amiga de Aibileen, é conhecida como a empregada mais respondona da zona e começa a ganhar má fama entre as patroas. Hilly, a senhora branca líder da comunidade faz-lhe a vida negra.

Cansadas das humilhações (coisas como casas-de-banho separadas porque negros pegam doenças aos brancos), acusações e exploração, estas três personagens juntam-se para escreverem um livro anónimo onde contam todas estas histórias sobre as patroas, o bom e o mau.

Num tempo em que as pessoas de cor eram consideradas inferiores em todos os aspectos, não podiam frequentar os mesmos sítios dos brancos, este livro falar sobre discriminação racial, de classe e género mas também de amizade, amor e força para tentar mudar o que está mal.

Aconselho o livro mas também o filme.